Robô realiza uma das tarefas humanas mais difíceis: montar móveis

Abr 19

Com câmera 3D e braços robóticos, máquina monta cadeira em 20 minutos

 

CINGAPURA — Entre os maiores desafios para um humano normal está a montagem de móveis. Em quase todas as ocasiões, os manuais são complicados e, no fim, sobram alguns parafusos que vão para o fundo de alguma gaveta. Com isso em mente, pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, colocaram a robótica em teste: será que máquinas autônomas são capazes de cumprir a tarefa? Após algumas tentativas, o objetivo foi concluído com sucesso.

— Para um robô, montar uma cadeira da IKEA com tamanha precisão é mais complexo do que se parece — comentou o professor Pham Quang Cuong, que liderou o projeto. — O trabalho de montar, que pode parecer natural para humanos, precisa ser dividido em diferentes etapas, como identificar onde estão as partes da cadeira, a força necessária para segurar as peças e garantir que os braços robóticos não se cruzem.

O robô montador de móveis é composto por dois braços robóticos disponíveis comercialmente para o setor industrial e uma câmera 3D. A ideia era imitar o “hardware” humano usado para montar objetos: os “olhos” pela câmera tridimensional e os “braços”, capazes de se moverem em seis eixos. Sensores nas pinças foram instalados para determinar a força necessária para que os “dedos” pudessem pegar e unir as peças sem danificá-las. O algoritmo, programado a partir de três bibliotecas de código aberto, seria o cérebro.

Todo o processo levou 20 minutos e 19 segundos, sendo 11 minutos e 21 segundos para o planejamento, 3 segundos para localizar as partes e 8 minutos e 55 segundos para a montagem. O resultado foi publicado esta semana no periódico “Science Robotics”.

O robô começa tirando fotografias tridimensionais das peças dispostas no chão para gerar um mapa da posição estimada delas, da mesma forma que nós, humanos, fazemos após a abertura da caixa. Para o robô, o desafio é determinar a localização precisa de cada parte num ambiente desordenado. Nas indústrias, cada peça que um braço robótico precisa alcançar está num local predeterminado. Feito isso, os algoritmos entram em ação, planejando os movimentos necessários para que os braços robóticos concluam o objetivo da forma mais rápida e precisa.

De acordo com o professor, o desafio não é apenas determinar os movimentos, mas também a força necessária para que peças delicadas, como pequenos pinos de madeira, não sejam destruídas pelos robôs. Pham explica que o experimento se insere no campo da robótica conhecido como “habilidade de manipulação”, que requer controle preciso das forças e movimentos de dedos ou mãos robóticas. Até então, experimentos nessa área eram limitadas a tarefas elementares.

— Uma das razões pode ser porque as tarefas de manipulação complexas em ambientes humanos requem diferentes habilidades. Isso inclui a capacidade de mapear a localização exata dos itens, planejar os movimentos sem colisões e controlar a força. E acima dessas habilidades, você precisa gerenciar as interações entre o robô e o ambiente — explicou Pham. — A forma como construímos nosso robô, das pinças paralelas aos sensores de força, tudo trabalha para manipular objetos como humanos fariam.

Como a ideia era imitar os humanos, o experimento utilizou cadeiras disponíveis no mercado por US$ 25. Antes de conseguir montar a cadeira com sucesso, algumas tentativas falharam. Segundo Pham, a equipe comprou quatro cadeiras e algumas foram quebradas pelo robô. No experimento, os robôs receberam as instruções de montagem, mas a ideia é torná-los ainda mais autônomos.

— Nós queremos integrar mais inteligência artificial para tornar o robô mais autônomo para que ele possa aprender os passos de montagem vendo demonstrações humanas ou lendo o manual, ou até mesmo a partir da imagem do produto montado — prevê o pesquisador.

Loading...

Categorias

Últimas Postagens

Título da postagem com limitação de caracteres.

Subtítulo da postagem com limitação de caracteres.

Notícias de Última Hora