PMs são achados mortos dentro de viatura no Rio; não havia marcas de tiro

Mai 05

Falta de manutenção de veículo pode ter causado vazamento de gás

Dois policiais militares foram encontrados desacordados na manhã deste sábado (5) dentro de uma viatura em Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio. Eles foram levados para o Hospital Lourenço Jorge, mas morreram no local. Informações iniciais indicam que os dois não tinham marcas de tiro. Uma das suspeitas é a de que o escapamento de gás tenha vazado para dentro da viatura.

A crise financeira do estado tem deixado os carros da PM sem qualquer manutenção. O caso foi registrado na 16ª Delegacia de Polícia (Barra), que terá apoio de agentes da Delegacia de Homicídios, segundo nota da Polícia Civil.

Foi solicitada uma perícia de engenharia para o veículo. Os corpos dos PMs foram encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML).

A PM e a Polícia Civil não informaram se os agentes estavam numa viatura antiga ou num modelo recém-adquirido pelo estado.

O sargento Rosemberg de Jesus Príncipe, 38 anos, e o soldado Bruno Pereira dos Santos, 36, estavam lotados no 31º Batalhão da PM (Recreio). Eles foram encontrados por moradores da região desacordados no carro.

Príncipe estava há 13 anos na PM, e Santos, há cinco. O sargento era solteiro e sem filhos. O soldado deixa mulher e dois filhos.

 

Intervenção federal
O estado do Rio está sob intervenção federal na segurança pública desde 16 de fevereiro. Nomeado pelo presidente Michel Temer, o interventor o general do Exército Walter Braga Netto apontou como um dos seus principais objetivos recuperar a capacidade operacional da PM.

A corporação recebeu no mês passado 290 novas viaturas numa cerimônia oficial com a presença do interventor e do governador Luiz Fernando Pezão (MDB).

O jornal Folha de S.Paulo revelou que o modelo escolhido, Ford Ka Sedan, tirou nota zero em teste de segurança da Latin NCAP, associação de consumidores automotivos que promove testes com os principais carros vendidos no país.

Testes feitos no ano passado mostraram que o veículo tem “proteção pobre” para a região do peito dos ocupantes em casos de batidas laterais a pelo menos 64 km/h.

Segundo a associação, há possibilidade de os ocupantes do banco dianteiro terem ferimentos com risco de morte em caso de acidente.

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública.

Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado. Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição. 

 

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