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    Mãe salvou vida do '45º tripulante' do submarino argentino desaparecido


    Jessica Gopar, mulher do tripulante Fernando Santilli, um dos 44 a bordo do submarino


    "Falei com ele no primeiro dia em que sua foto saiu. Disse que tinha ficado em Ushuaia por um problema de saúde de um familiar. [Contou] que está bem fisicamente, mas estava muito preocupado com seus companheiros e amigos", contou Carolina, uma amiga, ao jornal La Nación.

    Após receber um chamado urgente porque a mãe se encontrava em estado grave em Jujuy (norte da Argentina), ele teve permissão para deixar o submarino "ARA San Juan" em um porto intermediário da viagem, em Ushuaia. Chegando ao seu destino, soube da tragédia. Ele se salvou, assim como sua mãe.


    Dez dias depois de uma busca infrutífera por seus 44 companheiros no fundo do Atlântico sul, a história deste homem vem à tona e provoca arrepios.



    "É verdade que havia um [tripulante] número 45, que inicialmente havia embarcado em Mar del Plata, mas desembarcou em Ushuaia por problemas pessoais de doença de sua mãe", explicou neste sábado (25) o porta-voz da Armada (Marinha de guerra) argentina, o capitão Enrique Balbi.

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    "Não há dúvidas de que na tripulação havia 44", reiterou. Entre eles havia uma mulher, a primeira submarinista da América Latina.



    Milagre


    O "tripulante 45" voou do extremo sul da Argentina até a província mais ao norte do país, angustiado pelo estado da mãe, hospitalizada em caráter de urgência.


    Ele se despediu dos companheiros em Ushuaia sem saber que aquela poderia ser a última vez que os veria vivos. Entre eles, havia outros oito conterrâneos, segundo o governo de Jujuy.

    Presume-se que uma explosão a bordo tenha afundado o submarino e embarcações de 13 países fazem buscas a mil metros de profundidade.

    Na sexta-feira, a história deste homem chegou à imprensa local, que o identificou como Humberto Vilte. A Armada não confirmou a identidade, nem divulgou a lista de tripulantes.

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    Torcedor do River Plate, Vilte mora em Mar del Plata, onde fica a base naval, atracadouro do "ARA San Juan", ao qual estava designado, após se capacitar na Escola de Submarinos e Mergulho.


    Vilte voltou de Jujuy com a tranquilidade de que sua mãe tinha superado seu quadro de saúde e a angústia pelo destino de seus companheiros.

    Retornou a Mar del Plata em um avião, junto com familiares dos tripulantes conterrâneos desaparecidos, onde soube da notícia da suposta explosão que o submarino teria sofrido.

    Na quinta-feira passada, publicou em sua conta no Facebook um escudo da Armada Argentina acompanhado de um laço preto, em sinal de luto, quando a Armada confirmou ter havido uma explosão e as esperanças de encontrar sobreviventes enfraqueceram.

    Seu mural na rede social ficou lotada de condolências pelo destino de seus colegas e de mensagens de alívio dos amigos, ao saber que ele não estava a bordo. Ele ainda não respondeu a nenhuma.

    - Outros afortunados -Vilte não é o único a ter a vida salva pelo destino.

    A Armada também confirmou o caso de um tenente da área de Comunicações que, assim como Vilte, precisou desembarcar em Ushuaia e foi substituído por outro oficial da mesma especialidade.

    O tenente recebeu uma missão urgente que o obrigou a viajar ao Peru e por isso ordenaram que deixasse o submarino no meio da travessia.

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    Não foram divulgados nem seu nome, nem o de seu desafortunado substituto.

    Também veio à tona o caso de Adrián Rothlisberger, um oficial de 26 anos que, designado para esta viagem do "ARA San Juan", nunca embarcou por ter obtido licença no mesmo dia da partida para concretizar a compra de sua casa nova.