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  • Concurso e Empregos

    Baiano fatura R$ 4 mil por mês vendendo frutas após ficar desempregado


    Fábio dos Santos, 23 anos, enfrentou no seu antigo trabalho as desvantagens de não ser dono do seu próprio negócio. Cansado de não ter os esforços reconhecidos pelo ex-patrão decidiu, depois de entrar na folha de corte da empresa em 2015, se livrar das amarras da carteira assinada. Desempregado, só restou apelar para criatividade: improvisou na parte traseira do veículo da família uma espécie de hortifrúti ambulante. Agora, chega a ganhar cerca de R$ 4 mil por mês, um aumento de mais de 400% na renda, levando em consideração seu antigo salário de R$ 980 para auxiliar de entrega.

    Em apenas um ano, o número de pesssoas que passou a ocupar as vias públicas exercendo alguma atividade saltou de 32 mil para 61 mil na capital baiana. Foi o maior aumento dentre as capitais brasileiras entre 2015 e 2016 de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua). 




    O feirante pode até ter se livrado das amarguras do seu antigo emprego, mas passou a manusear uma faca de dois gumes. Se por um lado, ter se livrado do relógio de ponto foi um alívio, por outro, ser dono do seu próprio negócio também passou a ser sinônimo de preocupação, já que o seu trabalho ainda é considerado informal. “Eu acho que é mais vantagem porque a gente trabalha para os outros, ganha mal e não é valorizado. Às vezes, eles acabam não dando os benefícios que temos direito”, avalia.

    Durante seu novo trabalho como feirante, Fábio passou pela desvantagem da informalidade. Durante uma operação da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), teve toda sua mercadoria apreendida. Um prejuízo de cerca de R$2 mil. "O ruim é isso: a fiscalização. Porque não pago para ficar aqui, mas vou começar a pagar porque é uma segurança", reconhece ele. Além do prejuízo, o feirante teve que desembolsar mais R$700 para começar tudo de novo. 

    Isso só aconteceu com o empreendedor por ele não possui o cadastro no órgão, que o habilitaria para realizar suas vendas. Para não ter que passar pelo o que ocorreu com Fábio, os interessados em trabalhar nas vias públicas devem ir à Av. Cardeal Avelar Brandão Vilela (ao lado da Coelba) – Porto Seco Pirajá, antiga sede da Revita, portando documentos de registro, como RG, CPF, comprovante de residência e com o nome do local onde se pretende trabalhar.

    A secretaria entrega uma licença para o trabalhador entre 10 a 15 dias de análise. A Semop não confirma o aumento para 61 mil pessoas trabalhando nas vias públicas. De acordo com o diretor de serviços públicos da secretaria, Adriano Silveira, existem 11 mil trabalhadores regularizados e cerca de 20 mil ainda sem a licença para trabalhar emitida pela secretaria. A Semop registrou um aumento de 40% no pedido de licenças para trabalhar nas vias públicas da capital. Além do trabalho de conscientização, Silveira atribui o crescimento na procura à crise econômica

    “A Semop realiza todo um trabalho de análise de viabilidade de instalação do ambulante no local requerido. Não adianta a gente, como Semop, sair liberando licenças sem fazer análise do local e ver capacidade de ambulantes por local. Caso o local não seja liberado, a gente indica ruas ou equipamentos, como praças, feiras e mercados populares, para que essa pessoa pode trabalhar”, explicou o diretor.




    Para obter e manter a licença, o trabalhador deverá pagar uma taxa entre R$ 120 e R$ 350 por mês. Existem categorias que pagam a taxa anualmente. “O valor irá variar de acordo com o equipamento. Um carrinho de lanche tem um valor diferente de uma barraca desmontável ou de uma máquina de caldo de cana, por exemplo”, explicou Silveira.

    Durante a entrega da nova iluminação do bairro de Sussuarana, o prefeito ACM Neto falou sobre a pesquisa do IBGE. Ele relacionou o acréscimo no número de trabalhadores em Salvador com a crise econômica que atingiu o país. “Com a perda de empregos formais e de carteira assinada, muitos pais e mães de família tiveram que procurar as ruas para trabalhar como ambulantes. É uma forma de sobrevivência. A prefeitura convive diariamente com essa realidade. Procuramos, inclusive, ajudar na organização do trabalho dessas pessoas, porque a gente entende que elas precisam disso para sobreviver”.